como criar confiança ou porque é que ser autêntico ainda dá tanto medo

Acredito que o que somos na vida deve ser em tudo semelhante ao que somos no trabalho. A forma como nos apresentamos, como apresentamos as ideias que temos, como nos relacionamos com os outros – todos os outros e não só os que nos servem para algo – conta a todos sobre aquilo que nós somos.

Não raras vezes esquecemo-nos que o melhor que podemos dar aos outros é a nossa atenção. A empatia e a curiosidade ficam tantas vezes pelo caminho por acharmos que, se não passarmos tanto tempo a explicar o que somos, nunca teremos um papel relevante nas vidas dos outros.

Não acho que seja verdade. Aquilo que nos liga a todos é o espaço para ouvir. E o que nos conecta são as ideias que partilhamos. Quanto mais maturado for o que partilhamos, mais espaço teremos para o ir melhorando. É que as melhores ideias não chegam já perfeitas; precisam de outras opiniões, de participações.

Por último, a autenticidade. Ontem, numa entrevista que me fizeram para o “Onde, quando e como eu quiser”, quis sublinhar over and over aquilo em que mais acredito: sermos (de) verdade atrai. Sermos verdadeiros, quase transparentes, sermos reais, sermos falíveis e autênticos torna-nos interessantes. Então por que passamos tanto tempo a tentar ser tudo o que esperam de nós? Será que achamos que somos assim tão maus? E, se acharmos, não seria mais inteligente afinarmos algumas coisas do que passarmos o dia a fingir que não somos nada disso?

Hoje, ouvi uma TED Talk que fala sobre confiança. Como criar confiança, sobretudo depois de a quebrar.

Empatia. 
Lógica.
Autenticidade.

 Wear whatever makes you feel fabulous. Pay less attention to what you think people want to hear from you and far more attention to what your authentic, awesome self needs to say. And to the leaders in the room, it is your obligation to set the conditions that not only make it safe for us to be authentic but make it welcome, make it celebrated, cherish it for exactly what it is, which is the key for us achieving greater excellence than we have ever known is possible.

Eu também sou uma mulher de opiniões fortes. Também me sinto diferente num espaço em que as pessoas me pareçam desinteressadas na renovação, na inovação e no entusiasmo. Já desisti de algumas, confesso. Mas antes lutei tudo o que podia. E dessas lutas não me arrependo.

Se algumas coisas que disse a uma certa altura me pareceram erradas, deslocadas e chutadas para um canto, traz-me no entanto alguma paz saber que não sou a única a acreditar no poder da empatia e da autenticidade. Nunca cheguei a questionar a ilógica de algumas pessoas; no fundo acabei a acreditar que eu é que estava errada.

É bom saber que há por aí quem pense no mesmo sentido que eu.
E vocês, que pensam vocês?

 

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algo novo por 30 dias: who’s with me?

Sempre que passo demasiado tempo no sofá, levanto-me triste.
Não interessa se aquilo a que assisti foi um filme para rir, um documentário super interessante ou uma série imperdível. Invariavelmente, sempre que fico por ali mais do que duas horas, levanto-me com o peito pesado e um sentimento de perda.

Sofro de uma ansiedade igual à de tantas outras pessoas. Não sou mais especial por isso nem me considero mais ativa por isso. Quando chego a casa são muito raras as vezes em que descanso onde quer que seja.
Desconfio que sofro de um Síndrome Dona de Casa, que me acompanha desde que me lembro. Padeço também do Síndrome Capricórnio, que reúne todas as pessoas que optam por fazer os trabalhos de casa (TPCs) antes de irem brincar. Já adulta, continuo a encarar as responsabilidades da mesma maneira: primeiro o que é obrigatório, depois o opcional.

O problema disto é que tudo o que serve para absolutamente nada e constitui puro lazer é quase invariavelmente opcional para mim.

Sentar-me no sofá a ver uma série ou um filme nunca foi uma ação natural. Nunca figurou na minha lista de to-dos e não constitui importância suficiente para largar a mania de ter tudo arrumado, a loiça lavada, a roupa arrumada nas gavetas, o cão passeado. Quando cedo e me sento, horas a mais, a ver o que quer que seja, aprecio o que aprendo, mas levanto-me com a sensação de inutilidade completa.

É mentira. Assistir a séries, documentários, teorias, histórias e filmes não é tempo perdido. Tento convencer-me, no entanto, que é uma espécie de pesquisa essencial para ter novas ideias.
Só que aparentemente não resulta…

A ansiedade que me acompanha deixa-me a cabeça cheia de coisas. Ainda agora, que estou a escrever isto, estou a pensar no quanto deveria estar a rever as duas primeiras entrevistas já editadas para o projeto contra o preconceito e que em vez disso estou aqui a perder tempo.

Tudo cria ansiedades desmedidas porque, let’s face it, há sempre alguma coisa que devíamos estar a fazer e não estamos.

Na semana passada, para contornar isso, obriguei-me a comprar uma agenda. Pensei que se tivesse as coisas alinhadas verdadeiramente em dias específicos que ajudaria a escoar as ideias que me moram por aqui.

Ajudou alguma coisa. Mas ainda assim…

Hoje ouvi o podcast TED Radio Hour que reunia várias histórias sobre “A Better You”. Entre elas, uma proposta simples do Matt Cutts que propõe que façamos algo que sempre quisemos fazer por 30 dias. A ideia é criar novos hábitos: apagar hábitos antigos e manter ou rejeitar definitivamente outros.

A premissa é nunca ir dormir sem ter cumprido aquilo que delineámos. E, ao final dos 30 dias, ponderar se queremos manter esse hábito ou, se por outro lado, não queremos repeti-lo ou preferimos moderá-lo.

O primeiro desafio dos 30 dias, diz o Matt Cutts, pode ser tirar uma fotografia todos os dias.

“Instead of the months flying by, forgotten, the time was much more memorable. This was part of a challenge I did to take a picture every day for a month. And I remember exactly where I was and what I was doing that day.”

Parece-me fácil.

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Não sei até que ponto é que um desafio destes pode, por outro lado, contribuir para aumentar ainda mais a tal ansiedade de que falava. Se já não sei estar só a aproveitar os dias sem integrar neles todas as coisas a que me obrigo por pura responsabilidade, não será isto só mais uma coisa a adicionar à lista?

Ainda assim, gostava de experimentar.
Percebi que talvez se tiver companhia possa tornar-se num jogo, em vez de numa obrigação, num momento de agenda.

Por isso a minha proposta é simples: quem quer começar este jogo comigo?

 

Next step: os rótulos não são o demónio

Os últimos dois dias têm sido inacreditáveis. Ando por todo o lado a sentir-me uma espécie de super-herói cujo único poder é guardar uma série de segredos incríveis.

Nunca pensei que houvesse tanta gente disposta a expor-se para contribuir para mudar algo. Que quisesse contar aos outros o que lhe fizeram, o que lhe fazem e o que não admite que continuem a fazer-lhe. 🙏

O preconceito não se associa a um só rótulo. Somos julgados e condenados por vários ao mesmo tempo. Fechamo-nos em tribos por conforto.

Os rótulos não são maus. O mau é o que os que não nos querem bem fazem com eles.

“Que projeto é este? Que moldes terá?”

O objetivo é conceder poder a quem é rotulado por maldade ou por ignorância. É alhearmo-nos da perversidade dos outros e tomarmos as rédeas daquilo que nos chamam com malícia. Um grande ‘fuck you, this is me’, no fundo. Ou, sendo mais formal, uma tomada de força, um assumir do que se é sem olhar a represálias (porque essas já são o ponto de partida de tudo isto, não é verdade? Portanto… o que há a perder?).

As entrevistas serão gravadas em áudio e vídeo. Incluem câmaras mas também incluem algo não metálico: eu! 🙂 Que servirei essencialmente para conversar com os protagonistas. (My favorite thing!)
Trabalho na RTP e estarão associadas às plataformas da empresa.

Tudo o resto partilharei convosco a seu tempo.

“Para que serve este projeto?”

Existe preconceito em todos nós. Até nos mais liberais, nos que vivem em contacto só com a natureza e nos de mente aberta. O preconceito é o desconforto perante o outro. É o não saber lidar com a realidade do outro.

Às caras que se apresentarão cabe a honrosa responsabilidade de fazer ver aos outros sobre a sua realidade. A quem assista, a capacidade de ponderar algo que pode ou não alguma vez ter-lhe passado pela cabeça.
O objetivo é ficarmos mais conectados. Nem todos os preconceitos sairão do nosso ADN (mas se conseguirem, bravo!, e quero conhecer-vos) mas ganhar sensibilidade sobre algo com o qual não nos identificamos pode tornar-nos infinitamente mais serenos com tudo o que não compreendemos. Não?

“Já me inscrevi. E agora?”

Estou a reler todas as histórias que me foram chegando.

Obrigada a todos os que me escreveram e que se disponibilizaram a contar histórias incríveis. Tenho andado os últimos dois dias de lágrimas nos olhos (das boas!). A vossa confiança é comovente e inspiradora!

Vou selecionar algumas histórias e serão contactados por e-mail para que possa saber mais sobre cada um. É preciso alguma seleção dado que me chegaram muito mais histórias do que estava à espera ❤️ Mas não ficarão sem resposta!

Por fim, um obrigada a todos os que, não tendo histórias para contar ou preferindo guardar as suas para a esfera privada, me contactaram pelo Facebook, pelo Instagram e pelo Twitter para me deixar uma palavra ou uma nota de disponibilidade para ajudar. É bom saber que há por aí muito boa gente com o mesmo sentimento!

Até já!

Doutores e Engenheiros, para que vos quero?

Entrei para a RTP em junho de 2010, estagiária de função, responsável por escrever os textos que acompanhavam cada elemento de programação da RTP1 e RTP2.
Era na verdade demasiado rápida e acabava uma semana inteira de trabalho em dois dias. Foi assim que vim parar às redes sociais e, pela ordem natural das coisas deste género, à Multimédia.

Nunca percebi as ‘estruturas’ e as ‘hierarquias’ que por aqui se arrumam. Não por não estarem bem explicadas; mais porque nunca soube lidar com títulos, ‘doutores’ e ‘engenheiros’, ‘diretores’ e cargos afins. Compreendo os cargos, não compreendo as nomenclaturas. Também nunca fui boa a sentir-me inibida ou proibida de falar com quem quero por não ter intermediário.

Minto: até aos 6 anos foi o meu primo que pediu tudo no café por mim, fossem copos de água ou bolos com creme; passou-me quando percebi que não tinha tempo a perder.

Hoje sei, melhor do que há oito anos, que há cargos que, quando bem ocupados, conseguem mudar o mundo que lhe deram para as mãos. Não pelo ‘doutor’ que se lhes precede, mas pela pessoa que levam dentro.
Ao contrário do que a sociedade nos incute, não são as nomenclaturas a fazer a diferença no nosso respeito e devoção, numa conversa, numa discussão. Não deviam ser. Porque o que faz a diferença no dia-a-dia são as pessoas que não se importam que o título não se lhes vá agarrado, cujo foco é o que fazem com paixão, com vocação.

Essas são as minhas pessoas preferidas, desculpem-me que vo-lo diga. E foram também das que melhor me orientaram, se posso ser muito franca.

Parece-me deveras provinciano – e isto nada tem a ver com a província propriamente dita – que se respeite mais alguém por vir associado a um cargo. Parece-me ridículo que se oiçam mais as ideias de um presidente e de um diretor engravatados quando os zilionários (como o Mark Zuckerberg) usam sweats todos os dias e têm desenvolvido das ideias mais lucrativas das últimas décadas. São CEOs e no entanto duvido que alguém os trate por CEO Zuck todos os dias. Ainda nos falta recuperar desse estigma português dos doutores e engenheiros do antigamente.

Tenho sempre fé na mudança. Que o que chega vem melhor do que o que acabou de partir. Mesmo quando o que parte já foi bom. Sou otimista nessa medida. Mas não consigo deixar de pensar que de cada vez que chega alguém que se quer fazer acompanhar de um título esse título pesará mais do que o bem que traz pelas costas. Só porque o foco não está onde devia, só porque o trabalho vem depois do cargo; e isso desmotiva. Isso é o que faz com que o que chegue venha do passado e que não queira caminhar pelo presente como devia.

De alguma forma o que aí vem acarta um bom pronúncio. Encho-me novamente de otimismo. Porque se não nos enchermos de otimismo paramos e parar não é uma opção.

Revolução dos Guarda-Chuvas ou a Manif-mais-organizada-de sempre

Dura há seis dias o protesto que faz milhares de populares em Hong Kong dormirem na rua, mostrando-se contra as políticas da região administrativa especial chinesa. Os manifestantes não querem que os candidatos às próximas eleições de 2017 sejam seleccionados previamente por Pequim e pedem a demissão do chefe executivo, Leung Chunying.
No domingo, os protestos foram travados pelas cargas policiais e uso de gás lacrimogéneo. O resultado? Ainda mais pessoas saíram à rua para protestar, estimando-se que estejam cerca de 20 mil pessoas a manifestar-se, bloqueando avenidas normalmente movimentadas.
Os Guarda-Chuvas apareceram primeiro como apenas um utensílio para os manifestantes se esconderem do sol. Aquando da ação da polícia, foi no entanto esse objeto que os protegeu do gás lacrimogéneo, tendo-se já tornado um símbolo do protesto.

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Esta é, possivelmente, a manifestação mais cheia, convicta e organizada que tenho vistos nos últimos tempos. Não foi passageira, não é um capricho. Não foi uma tomada de consciência de última hora ou um passatempo de fim de semana. Não foram só os jovens que saíram à rua. Está lá toda a gente: os estudantes, os profissionais liberais, pais com filhos bebés. É pacífica porque não pede violência, mas é obstinada.
E é incrível ver mais de 20.000 pessoas na rua que não desistem dos seus ideais e que o fazem da forma mais organizada que conseguem. O que dá origem a fotos como estas:

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De acordo com o jornal Público, os protestantes “têm uma rotina já mais ou menos estabelecida: ao final da tarde e à noite começa a chegar cada vez mais gente, a noite é passada na rua, de manhã há pessoas que começam a ir a casa e outras a limpar o que ficou da noite anterior, há turnos para idas a casa ou trabalho, e ao final da tarde os números voltam a crescer.”

As imagens captadas por um drone são realmente impressionantes e mostram os milhares de pessoas que se concentram nas ruas. O mote “um país, dois sistemas” sob o qual vive Hong Kong torna o seu governo diferente do resto da China, pelo que é evidente que as formas de repressão usadas no resto do país não resultarão neste território.

Xiao Shu, escritor chinês atualmente numa Universidade de Taiwan, adiantou ao jornal norte-americano New York Times: “Na China, enquanto se controlar a rua com soldados suficientes e armas, pode matar-se um protesto, porque tudo o resto já está controlado: a imprensa, a Internet, as escolas, todos os bairros e todas as comunidades”, comentou. “Em Hong Kong, as ruas não são o único campo de batalha.”

Tensão a aumentar
No entanto, prevê-se que as tensões aumentem nas próximas horas. Os protestantes intimaram Leung Chun-ying a demitir-se até à meia-noite de quinta-feira, mas o líder não tenciona fazê-lo. Estima-se que o número de polícias a proteger os edifícios governamentais tenha duplicado depois de terem assegurado aos manifestantes que precisavam de furar as barreiras para mudar os turnos, coisa que não aconteceu.
Ao Mashable, algumas testemunhas disseram ter visto as autoridades a levar barris de gás lacrimogénea, spray pimenta e escudos para junto do gabinete de Leung Chun-ying.

O discurso feminista de Emma Watson

Emma Watson foi Hermione em Harry Potter. A amiga inteligente, destemida e corajosa que ajudou o feiticeiro em tantas aventuras. Hoje, Emma Watson continua a ser uma atriz brilhante e é também Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas.

No sábado foi convidada para fazer um discurso integrado na campanha He for She, que luta pela Igualdade de Género. Fê-lo de forma espantosa, emocionou a audiência e fez-nos compreender afinal o que é esta luta.

Durante pouco mais de dez minutos, a atriz deixou algumas questões à audiência. Assumiu-se como feminista mas concluiu que, ultimamente, esta tem-se tornado uma palavra impopular. E afirma-se como uma sortuda, dessas que correspondem infelizmente à minoria, por nunca ter sido menos amada na sua vida ou menos considerada na sua profissão por ser mulher e por poder vir a dar à luz um dia.

Ser feminista é facilmente associado ao exagero e a uma fervorosa defesa das mulheres contra os homens. A luta pelos direitos das mulheres está, no entanto, ligada a uma luta mais ampla que devia ser assimilada por ambos os sexos. Não é uma luta de sexos; é uma luta pela justiça.

A Emma fez questão de dizer, com todas as palavras de que precisamos, o que é afinal ser feminista e lutar pela Igualdade de Género. A luta das mulheres também está na mão dos homens e estes também têm o direito a ser mais do que o que a sociedade espera deles.

“Both man and woman should feel free to be sensitive and strong.”

Se somos mais mal pagas do que os homens e se somos descriminadas por nascermos mulheres, a verdade é que os homens também são associados a papéis que os deixam em desvantagem em relação à mulher. Como o papel de pai ou como a figura de sucesso que se prevê que sejam e que, por vezes, leva a situações limite de suicídio por não terem coragem de pedir ajuda.

Emma Watson chama os homens a contribuir. Será que eles têm coragem para serem chamados de feministas?

nunca é tarde para uma aventura

A vida aqui está a mudar. As pessoas estão a ir embora. Cada uma com as suas motivações mas quase todas com dinheiro suficiente para realizarem alguns sonhos. Muitas estão a ir por isso; sem objetivos, sem proveito próximo, sem pensar no que as espera quando os números se tornarem cada vez mais baixos.
Hoje despedi-me de uma amiga que tem tudo de especial. Tem uma magia de miúda nos olhos, mesmo que o Cartão do Cidadão já a considere de idade respeitável. Dizem-nos por todo o lado que aos 30 os sonhos devem já ser pouco mais do que ter filhos, uma casa boa, conforto, poucos amigos. Ela ignora isso tudo. Casou-se há um par de anos, veste-se de cores garridas e saias largas que podiam ser proibitivas para o trabalho e repete e repete que a cor preferida dela é o verde. Não conta dos males que lhe passam na vida mas, se os contou, viu-se nos olhos quando quase chorava. Tem um companheiro que em tudo a acompanha e que decerto lhe dará a mão até ao fim dos dias.
Porque para as pessoas como a minha amiga o fim dos dias não tem nada de assustador. Não tem nada de assustador a idade, os sonhos que ainda se sonham, a vontade de ir, só por ir, para se aprender a ser mais feliz.
Por isso, hoje, é o último dia da minha amiga por aqui.
Já não vai ter de picar o ponto de entrada e saída porque se vai mudar para o campo – com poucas malas e alguma bagagem, no seu jeito “esquisito” de ser e de levar a vida.
Os sonhos de cada um podem ser incompreensíveis para todos. Mas que bom é ver que alguém ainda tem a coragem de se lançar ao mundo, com o amor de uma vida e sem a mínima dúvida de que os amigos, estejam onde estiverem, aparecerão sempre para ajudar.
Boa sorte, Gi. Vais ser muito feliz.