Os dias contados do Buzz

O Buzz foi um presente inesperado. Deu-me dores de barriga, ansiedades várias. Fez-me questionar se estaria à altura para falar na rádio – um meio tão sério! De respeito! -, eu que sou tão atabalhoada a expressar ideias, que me perco em devaneios, que posso falar sem parar sem dizer nada de importante.
Morou em vários horários, teve vários interlocutores de peso na Antena3. Uns davam-lhe muita atenção, outros faziam as suas vidas nesses dois minutos de muita intensidade radiofónica, arrancada do online por um bocadinho.

O online pode ser cruel. Melhor, o online é cruel. A rádio é doce e contemplativa.
Quantos buzz’s dei com os quais não concordava. Quanta atenção se deu e se dá a notícias que não importam, que não significam, que não têm sumo nenhum.
Criei sumo (tentava). Expliquei por que não concordava (mesmo que não fosse isso o que me era pedido). Achei que ninguém ouvia, às vezes. Recebi sugestões, tweets, mensagens de amigos que gostavam de ouvir a minha voz a meio da tarde, inesperadamente. Havia sim alguém a ouvir; (h)ouve sempre.
Tive dias em que não havia assunto. Buzz’s praticamente inventados em cima do joelho. Os que tive de gravar nunca me saíram tão bem. Gosto dessa comunicação com quem estivesse do outro lado do ecrã do estúdio; mesmo que distraído.
Foram mais dias do que os que me lembro a sentar-me à frente daquele microfone e a sorrir para quem não me via. A dar a voz ao meu corpo e não o contrário.

E foi bom.

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O Buzz nasceu num formato particular, de reação à realidade. Pouco a pouco, o mundo em que vivemos tornou-se, todo ele, isso mesmo.
Talvez seja por isso que sinto que é tempo de sair para a rua e procurar novos buzz’s: aqueles que saiam de mim. Mais positivos, talvez. Menos imediatos talvez. Mais interessantes, espero.

O Buzz vai de férias por tempo indeterminado no final desta semana.

Obrigada Ricardo Tomé. Ao JAL, ao Rui Pêgo. Ao Luís Oliveira, ao Tiago Ribeiro, à Raquel Bulha, à Ana Galvão, ao Rui Estevão, à Joana Marques e à Joana Dias. Ao Nuno Reis.
Aos que se encheram de paciência para me ouvir quando refilei.
À Antena3.
I’ll be back.

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Saber para onde se vai

Sempre soube para onde ia. Sempre soube o que queria. Sempre soube e acabei sempre por ir. Porque no ir, no fazer, no decidir e no ouvir é que se vive. E é preciso ter a coragem para mudar o mundo em cada segundo que nos apercebemos de qual é o sítio onde queremos chegar.

Simone de Oliveira: a doçura e a força

Ontem conheci a senhora dona Simone de Oliveira. Foi um encontro curto, de gravador entre nós, porque o tempo urgia e porque, depois de tantas entrevistas, a querida Simone disse estar feita em puré. E no entanto a vontade de contar, dizer, explicar foi desconcertante. Ao lado dela, essa segurança tal que me senti encantada, amolecida e com vontade de lhe dar um abraço.

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Ali está uma mulher definitivamente resolvida com a vida. Que nunca deixou nada por dizer, que se fez das palavras que disse, das batalhas que travou, das canções que cantou e das coisas menos boas que viveu. Nos seus 70 e alguns anos, é de uma solidez e de uma força de carácter que impressiona e nos torna disponíveis para uma conversa que podia não ter um fim anunciado.

Talvez seja apenas nessa idade, aquela em que já nada temos de provar a ninguém, que se encontra enfim essa serenidade de que falámos. Talvez seja aí, só aí, que as competições ficam para trás, realmente esquecidas, enquanto resgatamos dos outros apenas aquilo que nos faz falta, apenas aquilo que nos querem dar de boa vontade. Talvez seja nos olhos de Simone que essa tranquilidade more, só agora, enquanto a lucidez espalha raízes sem pudor. E depois, com o mesmo à-vontade, convidou-me a juntar-me a ela quando a visse – como tantas vezes já – no seu restaurante favorito, para bebermos umas caipirinhas. Que bom que foi conhecer a Simone. Sem mais nada, só porque era disso que precisava.

Make a statement, change the world

SAM SMITH através do Google+

Dear All, Here is the Link to the LAY ME DOWN music video. This song holds a very dear place in my heart. With this video myself and Ryan Hope the director have decided to make a statement and showcase something we passionately believe in. This video shows my dreams that one day gay men and women and transgendered men and women all over the world, like all our straight families and friends, will be able to get married under any roof, in any city, in any town, in any village, in any country. I hope you enjoy it. I love you all x
Dear Sam,
You’re brave.
Thank You.

Cantar em português

Fui a uma festa de hiphop português na sexta-feira e fiquei hooked num género a que nunca liguei por aí além. Ouvi SaoOneArt, que conta histórias em música, e o Malabá conquistou-me com a história do filho, que é “Sangue do seu sangue”.


Depois há o Sam the Kid, que sempre me contou as melhores e as mais heartbreaking stories. E as mais divertidas também.


O hip hop cantado em português não é sujo, é interessante e quer, mais do que tudo, partilhar o que vai vivendo. E às vezes é só preciso dar-lhe uma oportunidade. Ao cantar, ao contar histórias na língua que mais nos diz e que melhor nos fala ao coração.