PROCURA-SE: pessoas anti-preconceito que não se importem de falar sobre isso

Temos a sorte de ter nascido na Europa. The Old Continent alberga os descendentes de grandes pensadores, filósofos, gente de garra que lutou pela intelectualidade e pela força para mudar as coisas. Temos também a sorte de vivermos aqui neste canto perfeitamente pacato, o Portugal dos Pequeninos, carregado de boa gente, gente simples e inovadora, gente valente que trabalha com afinco ou que se encosta quando faz mais calor.

Termos sorte não significa que as coisas não precisem de ser conversadas. E a questão do preconceito é um tema que insiste em regressar como um pop-up à minha cabeça. Não porque o integre sem descanso no meu rol infindável e imparável de pensamentos, mas porque me aparece todos os dias pelas histórias dos outros. E isso não me dá descanso.

O preconceito está tão enraizado na forma como nos moldam para este encaixe de sociedade que chegamos a ignorar que os pré-conceitos nos limitam na liberdade de criar, sentir e lutar.

Por isso tive uma ideia. 

PROCURA-SE: 

  • Bons comunicadores que não tenham medo/receio/pudor/vergonha/repulsa em contar na primeira pessoa a SUA própria história sobre preconceito
  • Gente que não se importe de ser gravada e de conversar comigo 🙂
  • Pessoas de coração aberto

A minha noção de preconceito sobre este ou aquele assunto pode estar totalmente errada. Eu também sou preconceituosa! Por isso quero contar com pessoas que saibam explicar-me qualquer história que tenham tanto pelo lado mais introspetivo como pelo lado mais bem-disposto.

E quando penso em preconceito estou a falar de um espectro amplo de ideias pré-concebidas. A cor da pele, uma religião menos enraizada na nossa sociedade, a orientação sexual são temas que nos vêm imediatamente à cabeça, mas há muitos mais. As profissões que desempenhamos, a forma como amamos, como comemos, como nos mexemos, como superamos obstáculos, como nos ajudamos… Quero conhecer tudo isso. E quero que consigamos explicar, finalmente!, uns aos outros as coisas que são verdade sobre os preconceitos que os outros têm sobre nós e as que são absolutamente surreais! 

Seguem alguns exemplos de pessoas que gostava de conhecer (e perdoem-me se os rótulos são eles próprios um preconceito terrível; no caso, serve só para tentar explicar melhor a minha ideia):

  • Feminista
  • Machista
  • Gender Fluid
  • Poliamoros@
  • “Gord@”
  • “Magr@”
  • Suicide Girl
  • Gender Queer
  • Vegan
  • Padre
  • Evangélico
  • Idos@
  • Monge
  • Transgénero
  • Invisual
  • Vegetariano
  • Adepto de claque de futebol
  • Surd@
  • Drag Queen
  • Muçulman@
  • Gay
  • Lésbica
  • Ex-vítima de violência doméstica
  • Pessoa com psoríase
  • Pessoa depressiva
  • Autista
  • Testemunhas de Jeová
  • Pansexual
  • Casais com grande diferença de idade
  • Casais inter-raciais
  • Transexual
  • Agente funerário
  • Taxidermista
  • … todos os outros!

 

Aceito de bom grado as vossas sugestões e estou aberta a qualquer conversa sobre o assunto.

Para que possa conhecer-vos, peço-vos que preencham este formulário (ao qual só eu terei acesso). Lets take it from there 🙂

Passem a mensagem, partilhem com os vossos amigos, por aqui, nas redes sociais todas de que se lembrem, nas conversas na praia, nos lanches no café, nas tardes de esplanada.

Obrigada a todos!

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Apaixonar-se é cair nos olhos do outro

Há mais de 20 anos o cientista Arthur Aron conseguiu fazer com que dois estranhos se apaixonassem. Mais do que romântico, o momento nasceu de uma profunda intimidade entre duas pessoas que se conheceram a uma velocidade a que já não temos acesso quando nos tornamos adultos.
O tempo de que dispúnhamos quando éramos adolescentes, que nos servia para conversas intermináveis com pessoas que mal conhecíamos, desaparece em minutos de trabalho de escritório ou obrigações várias, umas mais alegres que outras. Seja por que razão for, em adultos perdemos a hipótese de nos conhecermos com pormenor e rapidamente.

O estudo deste cientista propunha um teste simples que não é mais do que uma conversa de 90 minutos em que devemos responder, com o outro, a 36 questões. Sobre nós, sobre ele e sobre como podemos relacionar-nos, o que temos em comum, o que admiramos positivamente. No final, propõe que apenas nos olhemos, nos olhos, em silêncio, por quatro minutos. Esse é o destino de toda a intimidade. E dessa intimidade nasce um amor ponderado em questões que não se deixaram marinar na atração física ou no gostar insípido.

“Most of us think about love as something that happens to us. We fall. We get crushed.”

Tenho o pensamento romântico de que o amor maior nasce dessa queda. Dele não se escapa, da mesma forma que não se o procura. O amor é essa construção sim, mas demora semanas, meses e anos. E talvez este ponto de partida para pessoas que estão dispostas a apaixonar-se seja um bom começo.

Do estudo nasceu um curto teste, em vídeo, que tem sido partilha obrigatória na explicação desta ideia. Já é viral.

Simone de Oliveira: a doçura e a força

Ontem conheci a senhora dona Simone de Oliveira. Foi um encontro curto, de gravador entre nós, porque o tempo urgia e porque, depois de tantas entrevistas, a querida Simone disse estar feita em puré. E no entanto a vontade de contar, dizer, explicar foi desconcertante. Ao lado dela, essa segurança tal que me senti encantada, amolecida e com vontade de lhe dar um abraço.

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Ali está uma mulher definitivamente resolvida com a vida. Que nunca deixou nada por dizer, que se fez das palavras que disse, das batalhas que travou, das canções que cantou e das coisas menos boas que viveu. Nos seus 70 e alguns anos, é de uma solidez e de uma força de carácter que impressiona e nos torna disponíveis para uma conversa que podia não ter um fim anunciado.

Talvez seja apenas nessa idade, aquela em que já nada temos de provar a ninguém, que se encontra enfim essa serenidade de que falámos. Talvez seja aí, só aí, que as competições ficam para trás, realmente esquecidas, enquanto resgatamos dos outros apenas aquilo que nos faz falta, apenas aquilo que nos querem dar de boa vontade. Talvez seja nos olhos de Simone que essa tranquilidade more, só agora, enquanto a lucidez espalha raízes sem pudor. E depois, com o mesmo à-vontade, convidou-me a juntar-me a ela quando a visse – como tantas vezes já – no seu restaurante favorito, para bebermos umas caipirinhas. Que bom que foi conhecer a Simone. Sem mais nada, só porque era disso que precisava.

Make a statement, change the world

SAM SMITH através do Google+

Dear All, Here is the Link to the LAY ME DOWN music video. This song holds a very dear place in my heart. With this video myself and Ryan Hope the director have decided to make a statement and showcase something we passionately believe in. This video shows my dreams that one day gay men and women and transgendered men and women all over the world, like all our straight families and friends, will be able to get married under any roof, in any city, in any town, in any village, in any country. I hope you enjoy it. I love you all x
Dear Sam,
You’re brave.
Thank You.

Andar aos pares

A partir de uma certa idade, as pessoas começam a andar aos pares.

Vão a festas onde há outros pares como eles e por isso está fora de questão não levarem a sua cara metade. Os amigos, que também vivem aos pares, ficam ansiosos por convidar o par que deve acompanhá-las a qualquer evento social.
A partir de uma certa idade as festas passam a ser em casa e, quando chegamos e olhamos em volta (num mundo maioritariamente heterossexual), o número de homens e mulheres é par. As mulheres estão num canto a galinhar, os homens a ver um jogo na televisão ou agarrados a um copo. Quando se vão embora, vão aos pares também. E se por acaso há uma festa e alguém ficou recentemente sem par, é ver os amigos nervosos. “Como vamos convidar o João? É só casais e agora a Maria acabou com ele…”
Verdade seja dita, são mais as mulheres que se preocupam com isto, mas os homens estão cada dia mais dedicados à mexeriquice emocional. É das companhias.