os YouTubers não têm medo do ridículo

São os novos ídolos dos miúdos e não importa o que partilhem porque não é isso que (mais) interessa. O maior valor de cada vídeo é a personalidade de cada um, que pelo caminho conquistou legiões de fãs descomplexados acerca da intelectualidade. Que procuram algo que os entretenha e que pode ter, ou não, uma mensagem maior.

Seremos os maiores mentirosos se dissermos que somos demasiado profundos para assistir ao que os YouTubers vão partilhando. Como em tudo, não é possível que gostemos deles todos, que nos identifiquemos com o tema, com a forma de falar, com a educação ou com as piadas. Como na gastronomia, é preciso que experimentemos para nos irmos apercebendo de gostos que nem sonhávamos.

Os YouTubers não são só miúdos a pregar partidas ou a dizer palavrões. Há uns, vloggers, que partilham todas as partes de um dia-a-dia que consideraríamos banal mas que encantam os miúdos que ainda não têm liberdade. Há os que têm mensagens importantes sobre conquista de objetivos, compreensão do outro, a descoberta da identidade. Há os que fazem tutoriais de maquilhagem, demoradíssimos mas oferecidos em fast-forward para ajudar os que se sentem mais bonitos por baixo de bases e sombras. Há os que viajam e nos fazem invejar todos os sítios por onde passam, mesmo que nem gostássemos particularmente de conhecer aquele lugar. Os que comentam carros, os que fazem unboxings. Os gamers, pagos para fazer o que sabem melhor.

O que nos distingue dos Youtubers é que eles não têm medo do ridículo. Não é isso que os impede, não é essa insegurança que os trava. Comentamo-los como se fossem herdeiros do nada, da falta de objetivos, ignorantes das verdadeiras profissões. Somos, nós, herdeiros paulatinos do ceticismo, da incapacidade de compreender que sempre quisemos que alguém nos entretesse de tempos a tempos e que esta também é, sim, uma forma de entretenimento.

Comparemos o rock e o punk que ouvíamos durante a adolescência às reações das mães que nos batiam à porta do quarto, “que isso é só barulho!”. A incompreensão da altura é a incompreensão dos miúdos de agora. Que importa se o conteúdo não tem mensagem; às vezes só precisamos de um barulho familiar.

Somos muito mais conscientes de nós próprios conforme vamos crescendo. E é isso que nos inibe. Guardamos o que sonhamos numa caixa para que ninguém nos ache ridículos, não vá esse alguém julgar-nos, multar-nos a criatividade e estragar-nos a vontade para sempre.

Somos ridículos por isso.

Nunca se ouviu falar de ninguém que não tivesse sido ridículo na vida. E nessa altura nem havia internet.

E se falo sobre isso, é preciso que dê o exemplo:

Tenho uma página de Tumblr onde partilho as fotos bonitas que vou tirando. Vejam. E comentem, se quiserem.

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Roadtripping

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