Revolução dos Guarda-Chuvas ou a Manif-mais-organizada-de sempre

Dura há seis dias o protesto que faz milhares de populares em Hong Kong dormirem na rua, mostrando-se contra as políticas da região administrativa especial chinesa. Os manifestantes não querem que os candidatos às próximas eleições de 2017 sejam seleccionados previamente por Pequim e pedem a demissão do chefe executivo, Leung Chunying.
No domingo, os protestos foram travados pelas cargas policiais e uso de gás lacrimogéneo. O resultado? Ainda mais pessoas saíram à rua para protestar, estimando-se que estejam cerca de 20 mil pessoas a manifestar-se, bloqueando avenidas normalmente movimentadas.
Os Guarda-Chuvas apareceram primeiro como apenas um utensílio para os manifestantes se esconderem do sol. Aquando da ação da polícia, foi no entanto esse objeto que os protegeu do gás lacrimogéneo, tendo-se já tornado um símbolo do protesto.

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Esta é, possivelmente, a manifestação mais cheia, convicta e organizada que tenho vistos nos últimos tempos. Não foi passageira, não é um capricho. Não foi uma tomada de consciência de última hora ou um passatempo de fim de semana. Não foram só os jovens que saíram à rua. Está lá toda a gente: os estudantes, os profissionais liberais, pais com filhos bebés. É pacífica porque não pede violência, mas é obstinada.
E é incrível ver mais de 20.000 pessoas na rua que não desistem dos seus ideais e que o fazem da forma mais organizada que conseguem. O que dá origem a fotos como estas:

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De acordo com o jornal Público, os protestantes “têm uma rotina já mais ou menos estabelecida: ao final da tarde e à noite começa a chegar cada vez mais gente, a noite é passada na rua, de manhã há pessoas que começam a ir a casa e outras a limpar o que ficou da noite anterior, há turnos para idas a casa ou trabalho, e ao final da tarde os números voltam a crescer.”

As imagens captadas por um drone são realmente impressionantes e mostram os milhares de pessoas que se concentram nas ruas. O mote “um país, dois sistemas” sob o qual vive Hong Kong torna o seu governo diferente do resto da China, pelo que é evidente que as formas de repressão usadas no resto do país não resultarão neste território.

Xiao Shu, escritor chinês atualmente numa Universidade de Taiwan, adiantou ao jornal norte-americano New York Times: “Na China, enquanto se controlar a rua com soldados suficientes e armas, pode matar-se um protesto, porque tudo o resto já está controlado: a imprensa, a Internet, as escolas, todos os bairros e todas as comunidades”, comentou. “Em Hong Kong, as ruas não são o único campo de batalha.”

Tensão a aumentar
No entanto, prevê-se que as tensões aumentem nas próximas horas. Os protestantes intimaram Leung Chun-ying a demitir-se até à meia-noite de quinta-feira, mas o líder não tenciona fazê-lo. Estima-se que o número de polícias a proteger os edifícios governamentais tenha duplicado depois de terem assegurado aos manifestantes que precisavam de furar as barreiras para mudar os turnos, coisa que não aconteceu.
Ao Mashable, algumas testemunhas disseram ter visto as autoridades a levar barris de gás lacrimogénea, spray pimenta e escudos para junto do gabinete de Leung Chun-ying.

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