não sou de chuva

Não tenho jeito para viver na chuva. Não tenho jeito para me vestir para a chuva e para andar por aí de chapéu de chuva. Molho sempre os pés ou voa-me o chapéu, visto-me com roupa a mais e acabo cheia de calor ou esqueço-me do chapéu em qualquer lado.
O cinzento também não é a minha cor. Sou demasiado amarelada para que me fique bem, na pele e na alma. Sou mais de sol, mesmo quando é desmaiado, sol de inverno, daquele que não nos aquece mas que nos faz fechar os olhos quando nos bate no nariz.
Sou do bom tempo e das boas decisões.
E por isso quando o tempo fica inquieto eu procuro receitas na internet. Gosto de olhar para a comida, pensar que um dia seria capaz de a fazer; nesse dia longínquo onde terei uma mão excepcional para a cozinha, um gosto apurado, um sexto sentido que toda a gente me vai elogiar por ser tão inacreditável. Gosto especialmente de perder horas no pinterest no meio das receitas da Martha Stewart (que algures na vida esteve em prisão domiciliária não sei porquê) que faz coisas tão belas e tão absolutamente deliciosas (digo eu, que os meus dotes não me permitem experimentar e ter a veleidade de pensar que vão ficar tão boas como as dela parecem).
Quando chove tento dedicar-me aos bolinhos com chá, parece-me o melhor programa. Quando venho trabalhar concluo sempre que devia era passar estes dias a ver filmes e a aumentar a minha cultura cinematográfica. Que devia acompanhar uma série qualquer. Que devia ir experimentar aquele café que é tão amoroso. E depois disso concluo que é melhor não fazer nada disso, que o ginásio é uma despesa fixa mas o desporto não se faz só pagando a mensalidade.
E se penso nisto tudo aos dias de semana, ao fim de semana a dor é enorme por ter feito tanta coisa e por ainda estar tanto por fazer. Mas é uma dor boa. Daquelas cheias de planos. E isso ajuda-me a esquecer a chuva.

Advertisements