50 anos depois de Martin Luther King

Há meio século, precisamente neste dia, Martin Luther King discursou no Lincoln Memorial pelos direitos civis dos negros e pelo fim do racismo. Foi morto a tiro cinco anos depois e ainda hoje aquilo que sonhou continua a não ser uma realidade.

O mundo não está mais tolerante, mas está mais flexível. Continua a não lidar bem com as minorias, mas finge que é cool. Mostra-se alternativo, mas não integra verdadeiramente quem não quer mais do que… fazer parte.

Martin Luther King tinha um sonho. Eu também.

i have a dream

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no teatro com Diogo Infante

preocupo me
O monólogo do Diogo Infante está em cena no São Jorge só até domingo. Ao longo de quase uma hora e meia, o ator dá vida a 8 personagens que nos falam de fé. Dos vários tipos de fé, da forma como podemos encarar a vida, as coisas em que cada um de nós acredita, a partir das quais alteramos a nossa maneira de ver o mundo.
Sempre de uma forma cómica, dá-nos a conhecer vários pontos de vista de uma vida que se quer despreocupada.
Apresenta-nos Armando Silva, o “inspirador”, que quer que procuremos o nosso bebé interior e que o deixemos levar a nossa vida como ele muito bem entender.
Se chegar 15 minutos atrasado ao trabalho e o seu chefe estiver furioso, temos pena! Diga-lhe “o meu bebé interior tinha soninho”!
Páre de pensar no que dizem sobre si! O que dizem sobre si não é da sua conta!!
A verdade é que se deixássemos o nosso bebé interior tomar conta de quase todas as nossas decisões seriamos gente mimada mas bastante mais simples de compreender. Gostamos de fazer parecer aos outros coisas que nem sempre somos. Mas o nosso bebé interior raras vezes é mais do que um egoísta infantil que pode sê-lo porque depende de todos mas ninguém depende dele ou ninguém lhe quer mal.
Há ainda um Taxista preconceituoso, homofóbico, xenófobo e antisemita… mas muito crente a Deus; o Diabo sensual (que claramente me fez crer que o céu não será o meu limite); o Médico, que prescreve comprimidos que fazem mal a tudo – dão impotência, sangramento do nariz, dormência em todas as extremidades do corpo, cegueira, etc – mas que ao menos curam a maleita de que o paciente se queixa; a Estrela de Rock que está “drug free” mas que morre de saudades de coca; o Artista que só quer aparecer; e o Homem que nos aponta como é tão fácil que as notícias estraguem o nosso esforço com todas as preocupações que nos incutem todos os dias, como se tivéssemos de nos arrepender de tudo o que conquistamos porque há outros que não têm o que nós temos.Preocupamo-nos com tudo e sabemos que o mundo continua a girar mesmo quando não estamos. Mas gostamos de pensar que o que nos faz dores na alma é demasiado importante e que quem não quer saber não pode ter coração.

Temos direito a ter o que conquistamos e a aproveitar o bom que a vida nos dá.

“Preocupo-me, logo existo!” está em cena só até domingo, no São Jorge, em Lisboa.
Os bilhetes são 12,50€. Reservem e passem pela página de facebook.

phubbing: ignorar os outros por causa do telemóvel?

É o fenómeno que já ninguém consegue ignorar e já tem nome. O phubbing é o ato de ignorar alguém num evento social, preferindo olhar para o telemóvel do que prestar-lhe atenção.

Todos nós já fomos vítimas de phubbing, até os maiores phubbers que, claro, não conseguem admitir que o são. É como se a nossa companhia tivesse passado para segundo plano, o som da nossa voz, até o facto de nos mexermos em tempo real.

O que importa vive dentro dos smartphones; ou assim parece. Já ninguém sente que viveu coisa nenhuma a menos que o tenha partilhado numa rede social qualquer. Os amigos, os que se sentam à mesa e querem ouvir a nossa história com todas as palavras e pormenores a que têm direito, passam a ser espantalhos. O que importa é o que os outros (esses seres míticos que compõem um rol de amigos imaginários mega importantes que aceitámos no facebook) pensaram e partilharam, as fotografias das suas férias – meticulosamente escolhidas para fazerem parte de álbuns brutais – e o que mostraram ter de intelectuais.

Uma marca de cerveja brasileira resolveu brincar com o assunto e chamou a atenção para o facto de uma ida ao bar significar estar com os amigos… e beber copos, claro.

A vida tem momentos muito mais giros fora do computador e das redes sociais. Experimentem!
E se quiserem juntem-se ao movimento anti-phubbing.

Escrever também pode curar maleitas físicas

O hábito de escrever – à mão, no computador, prosa, poesia, papelinhos desgarrados – pode parecer altamente improvável para alguns. Seja porque não têm jeito ou porque não têm paciência ou porque não têm tempo, escrever é, no entanto, uma ótima forma de sermos mais sinceros connosco.
Na vida que levamos gostamos de nos mentir a nós próprios, como se até perante os nossos sentimentos tivéssemos de ser poços de juventude, energia e otimismo ou para nos fazermos de mais coitados do que somos. Às vezes acabamos a acreditar naquilo que dizemos sobre nós próprios… até ao dia em que estamos deprimidos e já não conseguimos perceber porquê ou sequer sentir-nos de outra maneira!

Um estudo realizado pela Universidade de Auckland, Nova Zelândia, vem, no entanto, provar que escrever sobre emoções também ajuda a sarar feridas físicas. Escrever, assumir o que sentimos sem subterfúgios pode, enfim, ajudar-nos a resolver uma série de traumas que passam até, veja-se bem!, por dores físicas.

Segundo este estudo, “onze dias depois dos ferimentos terem sido provocados pela equipa de investigação, 76% dos participantes do grupo que tinha escrito sobre as suas emoções tinha sarado completamente as feridas, enquanto que no outro grupo apenas 42% dos participantes tinha sarado os ferimentos”.

Passamos a vida a queixar-nos e poucas vezes tentamos, de facto, combater o que nos apoquenta. Somos demasiado preguiçosos. As dores físicas, por outro lado, impedem-nos de fazer o que normalmente somos capazes e com elas revoltamo-nos mais. Mas se fossemos capazes de ter a coragem de falar realmente sobre o que sentimos?

Isso é que era.